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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Mensagem Episcopal de Natal

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E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo (Lucas 2.10)



Queridas irmãs e irmãos em Cristo, 
e todas as pessoas de boa vontade, 
paz na terra, da parte do Senhor Jesus:

A sociedade brasileira está dividida em sua unidade. Dividida porque avalia de forma diferente os processos políticos e jurídicos que dominam o cenário nacional, e suas boas e más conseqüências para o povo brasileiro, em especial as pessoas mais vulneráveis socialmente e economicamente. Receitas de diminuição drástica do Estado, em todos os níveis, voltam à tona. Em princípio o discurso é de preservar aquilo que as pessoas que contribuem dão sem receber quase nada de volta. Promete-se de pé junto que políticas públicas como saúde e educação não serão afetadas, pelo contrário haverá mais recursos para isso. 
Neste Natal milhões de pessoas desempregadas estarão mais tristes. Profissionais que dedicaram toda sua vida ao serviço público perderão seus postos de trabalho. Pessoas das áreas da saúde e educação continuarão a receber menos que as que trabalham em bancos e financeiras. A classe política e o poder judiciário, principalmente, além de pessoas da cúpula do serviço público, continuarão recebendo acima do limite constitucional, além de outras regalias completamente incompatíveis com a crise que se anuncia. A violência no Estado do Rio Grande do Sul continua crescendo em níveis tão assustadores quanto insuportáveis, e diante dela vozes vingativas proclamam o assassinato de criminosos como solução, ou a redução da maioridade penal, em um sistema carcerário que só produz mais ódio e capacita para a morte. Quem fale em Direitos Humanos será mal visto ou mal vista, e quem fala e luta por reconhecer a diversidade recebe o rótulo de “imigo(a)” da família. Tem gente que usa até a liberdade democrática, tão duramente conquistada depois de anos de autoritarismo e tortura, para pedir a volta da ditadura militar. Enfim, vivemos uma noite bem escura! As luzes do combate a corrupção iluminam pouco, e o vento frio do medo nos castiga por todos os lados...
A imagem dos pastores de Belém, cuidando suas ovelhas, na noite fria, se aproxima, a meu ver, do que estamos passando. Foi ali, não nos palácios iluminados, que a Glória de Deus se manifestou anunciando uma “grande alegria para todos os povos”. A essa alegria eu me apego, em oração e esperança. Esta noite passará, o dia vai amanhecer e Nosso Senhor, desde sua fragilidade, nos iluminará. 
Que este Natal seja união para as famílias, para todas elas, em toda sua diversidade amorosa! 
Que este Natal seja - para quem vive no vazio da morte, o desanimo do desemprego e da injustiça vil, a dor da morte e da violência - um tempo para reafirmar a resistência do amor, e encontrar nossas manjedouras a partir de onde possamos retomar a caminhada, sabendo que nunca estaremos sós! 
Feliz e abençoado tempo de Natal, no amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso servo

Dom Humberto Maiztegui Gonçalves

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Mensagem Episcopal de Natal

“Nele estava a Vida e a Vida era a Luz da humanidade” 
João 1:4

Queridas irmãs e irmãos em Cristo,
e todas as pessoas de boa vontade,
que a Luz de Cristo esteja em vocês:

A Vida é o sentido de tudo! Vida com letras maiúsculas! Quando escrevemos assim não nos referimos apenas a “uma vida”, ou a “minha vida”, mas a tudo o que faz a vida acontecer. Do ponto de vista da nossa fé cristã, como em muitas outras expressões religiosas, ainda acrescentamos o sentido da transcendência, isto é, da Vida que vai além da mera existência na dimensão terreal, da vida como energia geradora e inesgotável.

Esta energia é chamada, nestes primeiros versículos do Evangelho segundo a comunidade de João, de “Logos” (João 1:1; três vezes, como expressão trinitária), que pode ser traduzido como “Palavra”, também significa “sentido” ou “significado”. Em Cristo, mesmo antes dele se encarnar, estava o significado de tudo! O sentido da Vida! O sentido da Luz! O sentido da humanidade! O sentido da plena revelação de Deus como Trindade Santa! Cristo é fonte de toda a criação e tudo o que há reflete seu sentido vital e luminoso.

Mas, é claro, este Logos, como também afirmam estes versículos do Quarto Evangelho, “se fez carne” (João 1:14). A expressão “carne” é muito mais que “corpo humano”, mas é aquilo comum a toda matéria! Todo ser vivo tem “carne” de certa forma. Portanto, este Deus, que já era Logos, veio participar da sua própria criação como matéria viva. Até a carne pode não ter vida e ainda ser carne. Podemos dizer que, em Jesus Cristo, Deus se fez matéria prima da Vida! Unindo assim, em divina comunhão, o material e o espiritual! De forma que a partir da revelação de Cristo a matéria vive no espírito e o espírito na matéria! Algo vem evidente na ressurreição do corpo!

Esta é a nossa VIDA e a nossa LUZ revelada em Cristo. Nada fica fora da Vida, em tudo podemos ver a energia vital de Deus em Cristo! A Luz de Cristo ilumina o universo sem exclusões, sem distinções, e nos chama a olhar a Vida com esta Luz! Olhemos de novo ao nosso redor, veremos quanta Vida nos foi dada (em sua divina diversidade), olhemos dentro de nós, vejamos quanta Vida nos foi dada (em sua diversidade de misteriosas manifestações), pensemos em quem já nos está mais entre nós, e como a energia da Vida ainda se faz sentir, esperando o tempo do reencontro!

QUE POSSAMOS ILUMINAR NOSSAS VIDAS, NOSSO MUNDO, NOSSOS SONHOS, NOSSAS PENAS, COM A LUZ DA VIDA, EM CRISTO JESUS.

Dom Humberto Maiztegui Gonçalves - Natal 2015

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Mensagem do Bispo Diocesano para o Natal

Queridas irmãs e irmãos em Cristo,
e a todas as pessoas de boa vontade,
Que a Graça manifesta no Verbo Encarnado,
Seja com todas e todos vocês:

Esta imagem indígena do Natal nos fala do grande sinal dado por Deus na Encarnação da Palavra Criadora (João 1:10 e I João 1:1). No mistério de Deus-conosco/Emanuel (Mateus 1:23 e Is 7:14;8:8) Jesus se apresenta a nós em perfeita comunhão com toda a criação, com a humanidade e com a estrela inclui todo o universo.
Sendo assim, queridas irmãs e irmãos, como poderemos celebrar o Natal sem buscar esta mesma comunhão?
Nada ofusca a alegria natalina, a ternura da criança recém-nascida, o acolhimento das pessoas que a recebem carregadas de amor e esperança. Mas, Jesus, Maria, José, os Pastores de Belém, os Magos de Oriente, Simeão e Ana (que o recebem no templo oito dias depois), não permitem que nos esqueçamos o caráter profético desta revelação! O Cântico de Maria se alegra na alma tanto quanto manifesta a justiça! (Lc 1:46-47,51-53).
Portanto, este deve ser um tempo solidário em todo sentido! Um tempo o mais profundamente diaconal (de serviço a outras pessoas) que nos seja possível! Um tempo de esperança renovada em um mundo melhor e mais feliz para todas as pessoas, sem exclusões!

Reunamos as comunidades, as famílias, as pessoas sozinhas! Reunamo-nos no amor de Cristo para celebrar e renovemos nosso compromisso com todos os que, como o menino Jesus, nascem sozinhos nas periferias! Feliz e abençoado Natal para todas as pessoas de boa vontade, em todas as partes, de todo coração! É o desejo de vosso servo e bispo, em Cristo, Emanuel,

+ Dom Humberto Maiztegui Gonçalves