domingo, 10 de junho de 2018

Carta Pastoral ao 126º Concílio Diocesano

Carta Pastoral ao 126º Concílio da Diocese Meridional da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – Paróquia do Redentor – 8 a 10 de Junho de 2018.

Estamos reunidas, reunidos, para esta assembleia conciliar no contexto do Centenário da Paróquia do Redentor, aqui na Cidade Baixa em Porto Alegre. Esta comunidade e este local onde está inserida apresentam grandes desafios para o futuro.  O 34º Sínodo da nossa Igreja Episcopal Anglicana do Brasil também deixa importantes desafios para o futuro. Qual será nossa contribuição como parte da Igreja Católica de Cristo, como instrumento da Missão de Deus no mundo?
 Deus em Cristo, através da ação do Espírito Santo, Ventania de Vida e Missão, já nos inspirou com o tema e lema deste Concílio: “Igreja Viva, Comunidade Acolhedora” e, tomado da profecia de Jeremias: “Há uma esperança para o teu futuro, diz o Senhor” (Jr 31.17a).
Igreja Viva é, segundo nos ensina o testemunho das primeiras comunidades, é Igreja de Pedras Vivas, edificadas sobre a Pedra Angular de Nosso Senhor Jesus Cristo (1 Pedro 2.4-5). A Igreja é o povo que vive a fé em Cristo! Portanto, ser Igreja Viva, é viver buscando permanentemente, perseverantemente e comprometidamente realizar a vontade e amor de Cristo nas nossas vidas e nas vidas de outras pessoas. Onde estão estas pessoas com as quais nossas vidas se conectam em Cristo? O que Deus nos pede através delas?
Tenho conhecido diversas pessoas que chegaram a nossas comunidades. Pessoas sozinhas, famílias, casais, pessoas em grupos, pessoas abandonadas. Todas essas pessoas estão buscando, na nossa igreja, um lugar bom e seguro. Uma Igreja Viva não pode ter medo de outras pessoas e dos desafios que elas apresentam. Ser Igreja Viva vai além da busca da própria comodidade ou facilidade. Igreja Viva é aquela que se joga por fé nas mãos do Senhor. Igreja Viva é aquela que se deixa construir pelos desafios da Missão a partir da Pedra Viva Angular, e na Sua Graça se constrói com Pedras Vivas, que são evidências do Seu Amor, e instrumentos do Seu Reino.
Comunidade Acolhedora, no testemunho das primeiras comunidades cristãs, é a “casa”. Em grego “oikos” de onde se deriva o termo “oikoumene” ou “ecumenismo”, e até no sentido maior, o planeta como “Casa Comum”. A primeira comunidade acolhedora foi a casa das irmãs Marta, Maria e seu irmão Lázaro (Lucas 10.38; João 12.1-3). Esta casa serviu de inspiração para a Sede das Filhas do Rei em nossa Diocese. As primeiras comunidades acolhedoras foram casas, como afirma o testemunho de Lucas em Atos dos Apóstolos: “Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração” (Atos 2.46b).
Se nossa Igreja não fizer que as pessoas se sintam “em casa” não será uma comunidade acolhedora. Se sentir em casa, como vocês bem sabem, é se sentir bem-vindas, amadas, fazendo parte da partilha sem distinção!
Mas, ser comunidade acolhedora, é também criar comunhão entre as nossas casas e a casa de Deus, que é a Igreja. Cresce entre nossas comunidades a prática de celebrações, orações e estudos bíblicos nas casas! Esta prática deveria ser tão importante para nós quanto a celebração dominical nos nossos templos! Quando somos comunidade acolhedora, quem não tem casa encontra um lugar onde se sentir em casa, e encontra as forças na busca por um lar. Quando somos comunidade acolhedora, quem tem casa, vive em nossas comunidades a extensão de seu convívio humano e familiar.
Então voltamos ao lema que o profeta Jeremias profetizou para o povo de Deus: “há uma esperança para o tu futuro”. E quando o profeta disse isso o povo não estava bem. Muito pelo contrário! Toda a elite dirigente do seu país, que era referência em todas as áreas da vida social, econômica e política, tinha sido levada para o exílio na Babilônia. Ele próprio, por denunciar a maldade dos usurpadores do poder, foi jogado dentro de um poço e deixado para morrer.  O povo pobre, nem a elite exilada, enxergava uma saída em curto prazo. Parecia tudo perdido!
Nós vivemos uma crise total no Brasil. Por um lado, esta crise é fruto de um sistema econômico, social, político e até cultural, completamente injusto e desigual, que promove a corrupção em todos os níveis, e promove o ódio, promove o desprezo contra as pessoas pobres, trabalhadoras, historicamente excluídas e discriminadas.
A nossa Igreja Episcopal Anglicana do Brasil está sendo chamada fortemente e claramente para ser sinal do amor e da justiça de Deus nestes tempos. Este chamado não é fácil, mas é nosso. E como na época de Jeremias, se paga um alto preço pela palavra profética! O próprio Jeremias desejou não ter nascido!
Seja aquele homem como as cidades que o Senhor destruiu sem piedade. Que ele ouça gritos de socorro pela manhã, e gritos de guerra ao meio-dia; pois ele não me matou no ventre materno nem fez da minha mãe o meu túmulo, e tampouco a deixou permanentemente grávida. Por que saí do ventre materno? Só para ver dificuldades e tristezas, e terminar os meus dias na maior decepção? (Jeremias 20.16-18).
Cargas pesadíssimas de nosso passado. Cargas que são fruto de uma administração negligente e desorganizada. Cargas que, mesmo tentando tomar medidas de eficiência, organização e controle, não nos isentam de cometer erros. Vivemos ainda com o peço diário de saber que ainda estamos longe de uma “solução”. Isso é cansativo e frustrante para todas e todos nós, em todos os níveis de nossa diocese.
Mas, a voz profética de Jeremias, ecoa entre nós! Jeremias nos lembra de que este povo já foi libertado através do deserto e assim Deus fará de novo (Jeremias 31.1-9). E nos versículos que antecedem ao lema deste Concílio, diz claramente que os reunirá como um Pastor reúne seu rebanho! (31.10).  Então, a alegria superará a tristeza, e a fartura substituirá a miséria, e enfim o grito das mães que perderam suas crianças assassinadas (o grito de Ramá, em 31.15) desaparecerá!
Por isso é que há esperança para o futuro. Igreja Viva, Comunidade Acolhedora, com esperança no seu futuro é aquela que deixa Jesus a pastorear, aquela que vence o medo, aquela que dispõe a segui-lo pelo deserto, aquela que se entrega alegremente ao seu amor e seu poder.
Queridas irmãs e irmãos, que ouvem estas palavras aqui no Concílio e em cada uma de nossas comunidades, repitam comigo: “Há uma esperança para o teu futuro, diz o Senhor”!
Somos a Igreja Viva, em comunhão com toda nossa Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e seu desafio missionário inclusivo, seguindo as cinco marcas da Missão na Comunhão Anglicana? Então, digamos juntas e juntos: “Há uma esperança para o teu futuro, diz o Senhor”.
Somos comunidades acolhedoras, em comunhão com todas as pessoas que buscam uma casa de irmãs e irmãos em Cristo, em diálogo e partilha ecumênica, inter-religiosa, amorosa, inclusiva, participativa, profética?  Então digamos: “Há uma esperança para o teu futuro, diz o Senhor”.
Que a Santíssima Trindade, Pai Materno, Palavra Encarnada em Jesus Cristo, Espírito Santo que é Ventania de Vida e Missão, nos capacite e anime a viver a fé através de nosso jeito anglicano de ser, no amor que une, na fé que nos sustenta, na justiça que nos desafia, na paz que nos espera. Por que hoje afirmamos que: “Há uma esperança para o teu futuro, diz o Senhor”. Amém.

Bispo Humberto Maiztegui Gonçalves

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Diocese Meridional realiza 126º Concílio


Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB)
Diocese Meridional
CXXVI CONCÍLIO DIOCESANO

A Diocese Meridional, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), realiza neste final de semana (8, 9 e 10 de junho) o seu 126º Concílio Diocesano. 
Com o lema “Há esperança para o teu futuro”, inspirado no livro de Jeremias 31.17, e o tema “Igreja Viva, Comunidade Acolhedora”, o Concílio reflete a missão terapêutica da Igreja, que busca defender a vida e sempre acolher as pessoas na vida comunitária.
Cada comunidade é oficialmente representada no Concílio por uma delegação, mas a assembleia é aberta para a participação de visitantes ecumênicos e todas as pessoas da Igreja que desejam acompanhar os trabalhos e congregar nos momentos de celebração. 
As celebrações de abertura e encerramento são, tradicionalmente, bem participativas, contando com a presença de visitantes. 
Toda a programação do Concílio se dará nas dependências da Paróquia do Redentor, Rua José do Patrocínio, 570, Cidade Baixa, Porto Alegre / RS.
A cerimônia que abrirá o 126º Concílio, com leitura da Carta Pastoral do Bispo Diocesano, Humberto Maiztegui Gonçalves, será na sexta-feira, as 19:30 horas.
A celebração de encerramento está marcada para as 14:00 horas do domingo, dia 10. A pregadora será a Revma. Bispa Marinez Rosa dos Santos Bassotto, da Diocese Anglicana da Amazônia. 

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Aprovado casamento religioso entre pessoas do mesmo sexo


O dia 1º de junho, de 2018, aniversário de 128 anos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) foi também um momento histórico, pois, aprovou uma mudança canônica que permitirá o casamento religioso de pessoas de mesmo sexo. A aprovação da proposta que permite o sacramento do matrimônio para duas pessoas, independentemente de gênero e orientação sexual, foi aprovada por uma grande maioria de votos – 57 a favor, 3 contra e 2 abstenções. Esta é a terceira vez que o assunto é apreciado pelo Sínodo Geral, que agora aprovou a matéria, reservando sua plena concretização a partir de aprovação canônica em cada diocese.
No momento em que qualquer diocese da IEAB aprovar em concílio esta alteração nos cânones diocesanos, uma pessoa membro da Igreja que já convive com outra do mesmo sexo ou que segue esta orientação sexual em sua vida, poderá receber a benção da união matrimonial. E para esta celebração de matrimônio não serão necessárias mudanças litúrgicas, visto que o rito matrimonial do Livro de Oração Comum de 2015 foi adequado à neutralidade de gênero e deverá ser usado para a celebração do matrimônio entre duas pessoas de quaisquer gêneros.
O 34º Sínodo Geral da IEAB, que iniciou na noite de ontem, após dois de Confelider, o encontro nacional de lideranças, segue até domingo ao meio dia com uma extensa pauta que contempla alterações canônicas e eleição de Bispo ou Bispa Primaz e outros cargos e funções.

domingo, 26 de novembro de 2017

20 anos do Conselho de Ensino Religioso do RS

Em 26 de novembro de 2017 o Conselho de Ensino Religioso do Estado do Rio Grande do Sul, CONER/RS, completa 20 anos de existência.
É uma data significativa pois a entidade tem por finalidade congregar denominações religiosas interessadas para somar esforços e garantirem que o Ensino Religioso, direito do aluno, garantido por Lei, seja oferecido na escola pública, respeitando a liberdade de consciência religiosa, como parte integrante da formação básica do cidadão.
Outrossim, o CONER/RS colabora com o sistema de ensino estadual na regulamentação dos processos para a definição da formulação e execução dos conteúdos básicos, acompanhando sua aplicação e apoia a formação dos profissionais da educação para o Ensino Religioso.
A caminhada dos 20 anos tem sido marcada pela luta constante de garantir o exercício de suas finalidades.
O CONER/RS, com sede em Porto Alegre, expande-se através de várias Seccionais, sediadas em diferentes municípios do Estado, fazendo-se presente junto as comunidades escolares, discutindo e organizando-se para colaborar com os sistemas de ensino.
São as seguintes denominações religiosas filiadas, que compõe o CONER/RS:
Centro Budista Chegar Gomos Brasil
Confissão Israelita
Convenção Batista do Rio Grande do Sul
Convenção das Igrejas Evangélicas e Pastores das Assembleias de Deus no Rio Grande do Sul
Federação Espírita do Rio Grande do Sul
Igreja Adventista do Sétimo Dia
Igreja Católica Apostólica Romana
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Igreja Evangélica Congregacional do Brasil.
Igreja de Confissão Luterana no Brasil
Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil
Igreja Metodista
Sociedade Islâmica de Porto Alegre.
Rogamos a Deus que abençoe a todos, nos envolvendo em luz e paz para continuarmos a caminhada rumo ao futuro, na luta para garantir ao aluno de nossas escolas o direito a educação de qualidade na sua formação de cidadão.
Gladis Pedersen de Oliveira – Presidenta do CONER

Mensagem de Padre Enrique Illarze, pelos 20 anos do CONER

Querid@s amig@s, PAZ!
Estamos festejando o nosso primeiro quintil de vida, de serviço comprometido à causa do Ensino Religioso no Brasil tudo e especialmente em nosso Rio Grande do Sul. Que alegria quando me disseram: vamos festejar juntos ...! E desde meu remoto lugar en Salto, junto ao rio Uruguai e à represa de Salto Grande. Me sentí contento e orgulhoso pelo que tudo isso significou na minha vida. Olhei atrás e recordei ....quando em 1994 me iniciei no antigo CIER de Santa Catarina e onde começou também o tempo da minha conversão ao ER. Como uruguaio no me parecia algo bom mas aos poucos fui mudando e me entrosei (lá fiquei, em Araranguá, até 1997).
Quando a minha transferência para São Francisco de Paula/Taquara e a área de São Leopoldo (em 1998), o processo se aprofundou, pois foi ali onde o Senhor rodeou-me de pessoas que souberam não só receber-me, mas guiar-me, ter paciência com o "castelhano" e com o meu "portunhol", me ensinar  e dar-me a chance de ajudar na medida do possível. Comparti acordos e desacordos, euforias e baixos astrais, estancamentos, avanços e também retrocessos: mas em todos os casos a mística do ER nos unia e nos animava a seguir na luta. Tantos nombres: Hna. Rohr, Dom Warmeling em SC, Remi, Pedro, Vilma, Iris, a coordenadora de ER da Prefeitura de Taquara, o trabalho das assessorias pelo RS afora, as reuniões mensais no Centro Arquidiocesano, o peso da responsabilidade na Diretoria do CONER e de 6 anos na sua Presidência (2003-2009).
E já como Presidente: as visitas nas Coordenadorias, os encontros de professores, os cursos pelo interior tudo, os Congressos, reuniões na Secretaria da Educação do RS, as idas e vindas para fazer ingressar o ER nas Universidades, especialmente na Estadual do RS, as alarmas e inquietações, os esforços para adaptar-se a mudanças nos campos educacionais e políticos. O trabalho para integrar novas denominações: a Federação Espírita, os Muçulmanos, os Budistas: os bons frutos que tal inclusão gerou e também as reações adversas que ela provocou.
Por tudo isso: Obrigado, Senhor, e te peço com todo meu coração que sustentes, abençoes e guies a todos os que, firmes e esforçados, continuam nessa carreira de postas, em que a insignia do ER vá passando de mão em mão e na qual todos somos partes da equipe do CONE/RS.
Recebam, então, amig@s, o grande abraço fraterno do amigo uruguaio que não os esquece:

Padre Enrique Illarze, OblSB.

Leia mais sobre o CONER/RS no site:
https://conerrsblog.wordpress.com

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Carta Pastoral do Bispo Humberto Maiztegui para 125º Concílio Diocesano

CARTA PASTORAL AO 125º CONCÍLIO DA DIOCESE MERIDIONAL
PARÓQUIA SÃO MATEUS
SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA RS
28 a 30 de Abril de 2017

Tema:
"Caminhemos guiados e guiadas pelo seu poder, o Espírito nos vem fortalecer."
 (Laudate, Canto 28).
Lema:
"Entrega ao SENHOR o teu caminho; nele deposita a tua confiança e Ele fará o mais." 
(Salmo 37.5; versão do LOC)


Estimadas e estimados irmãs e irmãos do Clero e Laicato 
da Diocese Meridional da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, 
reunidas aqui para dar andamento aos trabalhos 
do 125º Concílio da nossa diocese,
Graça e Paz da parte de Deus Nosso Pai Materno
e de Nosso Senhor Jesus Cristo, Palavra Encarnada:

A Comissão de Planejamento Pastoral e Missão, junto comigo, entendeu que nesta reunião conciliar apresentaremos o resultado de nossa primeira tentativa de uma avaliação trienal. Avaliação que corresponde ao Artigo 139 dos Cânones Gerais da IEAB, que determina que:
“Periodicamente, a cada três anos, deverá ser feita a avaliação do desempenho do ministério episcopal e de todo o clero diocesano, conforme regulamentação do concílio diocesano. § 1º - A regulamentação deve ser efetuada no primeiro concilio da diocese reunido após a aprovação destes Cânones Gerais.  § 2º - A avaliação de que trata este artigo, deve ser realizada na primeira reunião conciliar imediatamente posterior à sua regulamentação”.
Sendo que no 124º Concílio aprovamos, além da continuidade de nossos planejamentos comunitários, a metodologia de uma avaliação geral diocesana, que não apenas avalia o ministério episcopal e clerical, mas todo o funcionamento de nossa Diocese. 
A aprovação de novos Cânones Gerais e Constituição realizada no Sínodo Extraordinário Constituinte em 2016, também tornou necessária a compatibilização de nossos Cânones Diocesanos, trabalho feito pela Comissão de Direito Canônico junto com o Bispo, encaminhado para o Clero e Guaridiães(ãs) e apresentada, em primeira instância a este Concílio. Por sua vez, também neste Concílio, escolheremos uma nova delegação para o Sínodo Provincial que acontecerá na Diocese Anglicana de Brasília em Maio de 2018, onde serão rediscutidas questões canônicas pendentes e avaliados os últimos cinco anos de nossa caminhada provincial.
A Conferência de Padronização Financeira e Administrativa (CONFA), que é uma iniciativa exclusiva de nossa diocese, e a CONFELÍDER Diocesana, têm sido instâncias de avaliação e sugestão de novos rumos, apoiando o difícil caminho de sustentabilidade que ainda devemos percorrer e nos equipando melhor para sermos instrumentos da Missão de Deus. 
Tudo nos levou a escolher “O Caminho” (primeiro nome dado a Igreja de Cristo, cf. Atos 9.2) para dar sentido a esta 125ª Reunião Conciliar e a elaborar o tema e lema, a luz da Palavra Revelada de Deus, esperando que, como diz a bênção celta: 

Deus abençoe o caminho pelo qual você vai
Deus abençoe a terra sob seus pés
Deus abençoe seu destino.
Deus seja suave o caminho, abaixo de você,
Deus seja a estrela que lhe guia, acima de você,
Deus seja o olho vigilante, atrás de você
Este dia, esta noite, e para sempre.
Deus esteja com você  no que você passar,
Jesus esteja com você no que você escalar,
Espírito esteja com você onde você ficar.
Deus esteja com você em cada parada e em cada mar,
cada vez que te deitares e cada vez que te levantares,
ao passares pelas ondas ou na crista das ondas, 
em cada passo que darás em tua viagem.
(fonte: http://www.buildfaith.org/wp-content/uploads/2015/05/Celtic-Prayers-for-Traveling.pdf).

Este “Caminho” e a caminhada, nos pertencem, mas, pela Graça e liberdade a nós concedidas, somos nós que decidimos para onde ir! Há duas opções, conforme ensina o Didaquê (Doutrina dos Doze Apóstolos, 140 a 145 depois de Cristo):
(...) o caminho da vida e o caminho da morte.
Há uma grande diferença entre os dois.
Este é o caminho da vida: primeiro,  ama a Deus que te criou; segundo, ama ao teu próximo como a mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.

Caminhar pelo caminho de Deus, pelo caminho de Cristo, pelo caminho para o qual nos impulsiona a ventania do Espírito Santo, é o desafio de nossa vida cristã em todas suas dimensões. Para caminhar precisamos do amor de Deus e do amor mútuo, colocado acima das nossas conveniências e complacências, visando, em tudo, agir com as outras pessoas como gostaríamos que agissem conosco: “Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mateus 7.2).
Sabemos que aceitar o desafio de caminhar com Deus não é nada fácil. Somos pessoas frágeis, vulneráveis, limitadas, e erramos muito! Enfim, somos pessoas pecadoras! Mas, Deus sabe disso e sempre nos amou e nos ama assim, como somos. Por isso, como disse o canto que motiva nossa 125ª reunião conciliar: “O Espírito nos vêem fortalecer”. Sem isso seria impossível caminhar! Pela mesma razão, como diz o Salmo 37, entregamos a Deus nossos caminhos! Entregamos, não apenas abrindo mão de alguma coisa, mas pela profunda convicção que, se não entregarmos ao Senhor nossos caminhos, não chegaremos a lugar algum! 
Como, então, faremos para entregar a Deus, em Seu Amor, nossos caminhos? O que tenho visto, especialmente nas reuniões de companheirismo das Dioceses da América Latina e Caribe, especialmente na última realizada no Panamá em Novembro de 2016, é que isso se faz com em oração e com propósitos claros e firmes. E que não há outra forma humana, coletiva, transparente, clara e comprometida de fazer isso, que não seja através do planejamento e da avaliação! 
Planejar em oração e comunhão, no firme propósito de sermos instrumentos de Cristo e Seu Reinado no Poder do Espírito! É ter fé na possibilidade de olhar para as nossas fraquezas, para as ameaças que nos amedrontam, e encontrar na Graça de Deus as fortaleças e oportunidades necessárias para assumir a Missão de Deus e viver nossa vida cristã!
Avaliar de forma sincera e aberta, é a melhor forma de buscar em Deus a força, a superação, a capacitação, a comunhão. Não para nos acusar ou julgar de forma egoísta, mas para nos reconhecer e nos ajudar como irmãs e irmãos em Cristo, desafiando-nos mutuamente a sermos melhores como pessoas, melhores comunidades, melhores como igreja local, dentro da Igreja maior.
Não vejo outra forma de caminhar com Deus em unidade e fé. Mas, vejo que ainda temos muitas dificuldades. Vejo que antigas desconfianças contaminam nossas almas, que não conseguimos nos livrar do “tarefismo circular”, de fazer sempre o mesmo. Que leva sempre a nos queixar que as mesmas coisas não dão certo. 
Parece que temos medo de nós. Encontramos desculpas para não nos encontrar com nossos irmãos e irmãs e ouvir o que tem a nos dizer sobre nossas opiniões ou atitudes. Grande parte de nossas comunidades não encontra tempo para avaliar e planejar. Por quê? Aonde nos levam estas opções? Como poderá o Senhor ser nosso caminho se agirmos desse jeito? Quais são nossas prioridades? Não percebemos que estas atitudes desmotivam aquelas pessoas que estão assumiram responsabilidades nesse caminho, a maior parte delas do laicato, e que sentem-se abandonadas por seus irmãos e suas irmãs? 
Não tenho as respostas a estas perguntas, mas sei Deus tem essas respostas. Deus pode falar a cada coração, e transformar cada vida aqui presente, e através destas vidas, também pode transformar nossas comunidades e nossa Diocese como um todo. Neste Concílio haverá mais uma oportunidade. Espero, em Cristo, que aproveitemos bem este momento, e que realmente encontremos na Graça de Deus, a força para entregar nossos caminhos ao Senhor.
Deus tem nos abençoado, amadas irmãs e amados irmãos! Esta bênção vem através de cada um e cada uma de vocês, e de muitas pessoas, algumas que nem são membros da nossa igreja, que tem sido parceiras na ação entre amigos, em promoções, na ajuda ao Lar Alice Kinsolving, e em muitas outras ocasiões. Também pessoas com as quais temos relações profissionais, e que Deus tem usado para nós abençoar. Assim Deus insiste em nos mostrar que não estamos sós! Deus insiste em nos dizer que está conosco em todo momento. Não vemos isso? O que mais nos falta para crer que em Cristo podemos seguir o caminho e levar conosco esta pequena, mas significativa parte de Sua Igreja, a cumprir a Missão que lhe foi encomendada? 
Planejar com fé, avaliar com amor, planejar novamente com ainda mais compromisso e propósito, entregando nossos caminhos ao Senhor. Caminhar unidas e unidos pela fé, acreditando que Deus está ao nosso redor, e nos acompanha no amor de Cristo e no poder do Espírito Santo, em todos os desafios! Seguir este caminho que passa por cada vida, cada família, cada comunidade, por toda a Diocese, por toda nossa Província dentro de nossa Comunhão Anglicana, e nos projeta como Igreja ecumênica, em diálogo interreligioso, em favor deste planeta que é nossa casa comum! Podemos retomar este caminho hoje, nestes dias de Concílio, nas comunidades onde esta carta será lida, em cada lar. 
Que em Deus encontremos a luz que dissipa as trevas do caminho, que em Deus encontremos o amor que supera o medo e a desconfiança, que em Deus encontremos a força e o poder em nossas fraquezas, que em Deus tenhamos a visão, que permite ver além das limitações transitórias e das barreiras preconcebidas. Em Cristo, 
                                 
Dom Humberto Maiztegui Gonçalves
Bispo Diocesano na Diocese Meridional 
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Carta Aberta dos Bispos da IEAB sobre a Reforma da Previdência e Reforma Trabalhista

Como Câmara Episcopal da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, manifestamos, por meio desta nossa preocupação através deste posicionamento profético e pastoral diante do Projeto de Reforma da Previdência (PEC 287/2016), Projeto de Reforma Trabalhista, e a recentemente aprovada Lei da Terceirização, questionada pelo Ministério Público no Supremo Tribunal Federal.

A Reforma da Previdência
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) enviou para todas as igrejas membro um estudo feito pela ANIFP (Associação Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) e pelo DIESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), sob o título “Previdência: reformar para excluir?”. Neste estudo fica amplamente demonstrado que:
  1. A política de “austeridade econômica” que promove “o corte nos gastos públicos, sem poupar as políticas sociais e os investimentos, acompanhado por aumento das taxas de juros e por restrição severa do crédito, contribuiu para (…) uma depressão econômica”, com diminuição de contribuições para a Previdência Social.
  2. Que a ANFIP demonstra que “a Seguridade Social é superavitária mesmo com a crescente subtração das suas receitas pela incidência da Desvinculação das Receitas da União (DRU)(…) com as desonerações tributárias concedidas pela área econômica do governo sobre as suas principais fontes de financiamento”.
  3. Que aposentadoria por idade, 60 anos para a mulher e 65 anos para o homem, já está estabelecida no artigo 201 da Constituição de 1988, é que “atualmente 53% das aposentadorias são por idade, contra 29% por tempo de contribuição e 18% por invalidez”.
  4. Em caso da invalidez, o projeto exige “incapacidade permanente”, com 51% da remuneração mais um porcentual por ano contribuído, o que, além de deixar estas pessoas necessitadas em situação precária não ampara as vítimas de acidentes de trabalho ou a chamadas “doenças profissionais”.
  5. A não consideração de uma série de desigualdades como: entre homens e mulheres (sendo que as mulheres têm maiores dificuldades para encontrar emprego, com menor remuneração e, geralmente, dupla jornada); entre o meio rural e urbano (sendo que o benefício previdenciário tem permitido às pessoas a permanência no meio rural e tem apoiado o desenvolvimento a 88% dos municípios do país, com menos de 50 mil habitantes) e entre expectativa de vida e saúde (considerando as diferenças regionais, e as atividades laborais), entre outras.
  6. O fim da vinculação do piso da aposentadoria ao salário mínimo condenará à miséria a 28,3 milhões de pessoas que recebem benefícios diretos e suas famílias, além de mais 40 milhões de pessoas amparadas pelo seguro desemprego e outros benefícios.

O impacto de uma reforma desta índole para a Previdência Social do Brasil é desumano, cruel e devastador, com conseqüências que levarão para a miséria extrema a milhões de pessoas, e forçarão outros tantos milhões a trabalharem até sua morte, desamparando suas famílias. O Brasil que já destaca pela injusta distribuição da riqueza entre pessoas ricas e pobres verá aumentada esta desigualdade.
Reforma Trabalhista e flexibilização da negociação coletiva e terceirização
O mesmo estudo, antes mencionado, afirma que “liberação da terceirização, inclusive com a possibilidade de ‘terceirização em cadeia’ e intensificação da rotatividade, e a prevalência do negociado sobre o legislado apontam no sentido contrário, de enfraquecimento da remuneração do trabalho e de expansão das formas informais e ilegais de contratação”.
Quando a terceirização é aplicada a educação, saúde e segurança, servirá como caminho de evasão de responsabilidades públicas sobre estes setores, e o progressivo desamparo da população.
Por que nos manifestar
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, declara bem-aventuradas, as pessoas que tem “fome e sede de justiça” por que é elas serão fartas! (Mateus 5.9), e a Carta de Tiago nos lembra “Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.” (3.18). Portanto, não podemos nos omitir diante desta tragédia humanitária que estas reformas promovem. Trata-se, pela sua simples proposição em um desrespeito e uma violenta ameaça para este país. Sinal de governantes ilegítimos que, não conseguindo defender esta agenda em um processo democrático com participação popular ampla, o fazem usurpando os poderes que pertencem ao conjunto de cidadãs e cidadãos do Brasil.
Cremos que, pela união das forças de todas as pessoas de boa vontade, este haverá reversão deste quadro. Conclamando assim à mobilização em favor dos direitos das pessoas trabalhadoras, da melhor condições de trabalho e do amparo justo especialmente para mais pobres e vulneráveis de nossa sociedade. Como poderemos ter paz, se promovemos a injustiça, a morte e a exclusão?

Rio de Janeiro, 05 de abril de 2017.

Dom Francisco de Assis da Silva, Bispo Primaz e Diocesano da Sul Ocidental
Dom Naudal Gomes, Bispo da Diocese Anglicana de Curitiba
Dom Filadelfo Oliveira, Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro
Dom Mauricio Andrade, Bispo da Diocese Anglicana de Brasilia
Dom Saulo Barros, Bispo da Diocese Anglicana da Amazônia
Dom Renato Raatz, Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas
Dom Flavio Irala, Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo
Dom Humberto Maiztegui, Bispo da Diocese Meridional
Dom João Peixoto, Bispo da Diocese Anglicana do Recife
Dom Eduardo Grillo, Bispo Coadjuntor da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro
Dom Clóvis Rodrigues, Emérito
Dom Almir dos Santos, Emérito
Dom Celso Franco, Emérito

sexta-feira, 17 de março de 2017

História do Anglicanismo em dois novos livros

O Centro de Estudos Anglicanos tem feito um grande esforço para suprir a carência de obras sobre o anglicanismo em língua portuguesa. E com a publicação desta série de história do anglicanismo produzida pela Professora Vera Lucia Simões de Oliveira uma importante lacuna está sendo preenchida. Já estão impressos os dois primeiros livros: História do Anglicanismo na Inglaterra e História do Anglicanismo nos Estados Unidos da América.
O primeiro volume da série trata do surgimento do cristianismo nas ilhas britânicas, a hegemonia de uma igreja sobre a supervisão romana, a reforma inglesa do século XVI e o longo processo para o estabelecimento de uma igreja nacional, a expansão da Igreja da Inglaterra como braço ideológico do império inglês e como resultado da ação de algumas agências missionárias, o efeito da independência das colônias e o surgimento da Comunhão Anglicana. O capítulo final discute assuntos que estão em evidência no anglicanismo mundial, como a ética contextual, a identidade anglicana, a significância do Quadrilátero de Chicago-Lambeth, as instâncias de unidade da Comunhão, o papel da mulher, questões relacionadas à sexualidade.
O segundo volume é um convite a conhecer mais a história da Igreja Episcopal nos Estados Unidos. A autora conta-nos sobre o período de colonização dos Estados Unidos da América e o desenvolvimento da Igreja Anglicana sob o domínio inglês. Continuando, ela fala de maneira apaixonante sobre o surgimento da chamada Igreja Protestante dos Estados Unidos da América, já uma identidade independente e separada do colonizador, desde os dias da Independência até a atualidade. Precisamos estar muito atentos a esse período da história, porque é justamente essa nova definição de igreja autônoma pós-colonial que vai condicionar o conceito do anglicanismo na atualidade. No transcorrer de sua história a tradição estadunidense do Anglicanismo mudou o nome da igreja algumas vezes, cada uma delas representando uma nova ênfase teológica, uma nova maneira de reinterpretar sua tradição de fé. Desde o início deste século chama-se The Episcopal Church (TEC) – apenas Igreja Episcopal.

História do Anglicanismo nos EUA R$ 25,00.                  
História do Anglicanismo na Inglaterra R$ 30,00.

Os livros podem ser encomendados através do escritório Diocesano:
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